quarta-feira, 27 de julho de 2016

Conselhos





No começo não vai querer admitir, mas no fundo já sabe que os conselhos repetidos de sua mãe fazem sentido e que ela, mesmo sem entender tudo o que você pensa, tinha certa razão no que dizia. Vai querer o colo de uma amiga, mas talvez, e só talvez, chore mesmo quando estiver sozinha. Tudo isso está no script sobre os fins, afinal, depois de um tempo você percebe que é preciso muito mais do que amor para seguir em frente, também é preciso de alguém verdadeiramente ao seu lado e isso não é fácil.

Por enquanto, não vai querer contar a ninguém, mas vai querer saber o que fazer e como reagir a percepção das pessoas quando elas descobrirem, elas com certeza terão algo a dizer. Prepare-se, há sempre quem fale mais do que o necessário. Você vai se pegar parada olhando pro nada e pensando em como tudo isso aconteceu. Vai ficar sem comer, logo você que sempre amou comer agora perde as horas para pensamentos cheios de lembranças e lágrimas. Os dias vão passar mais devagar, mas o mundo não vai parar enquanto você se recupera. Não, ele não vai.

A tristeza lhe fará companhia e as músicas não serão mais as mesmas, logo elas que sempre fizeram parte de tudo. Antes falavam de amor, hoje não são capazes de expressar cada palavra entalada que nunca saiu da sua boca. É um término e não há como ficar bem com isso, o tempo vai ajudar, já dizia sua mãe. Sabe que vai precisar muito mais de motivação do que chocolate.

Se refugiar não é uma opção, hora ou outra será preciso respirar fundo e sair à rua sem receio de encontros indesejáveis. Ninguém deixa de amar de um dia para outro, mas pode fazer escolhas em minutos e mesmo que não aja coragem para admitir em alto e bom tom, sabe o que quer. Você vai ficar com medo de assumir, mas já sabe que ficará melhor sem alguém pra chamar de seu.

Não será necessária uma segunda-feira e nem o início do ano para colocar os pensamentos e sentimentos em ordem, vai precisar mesmo é começar do zero o quanto antes. Com a missão de um novo recomeço, pode escolher uma playlist mais animada, afinal, nem todo relacionamento é feito de desastres e defeitos, há em algum lugar, mais explícito do que se imagina, uma lembrança de alegria que vai fazer você recordar o que valeu a pena.

O término é sim mais um motivo para se afogar em lágrimas, nem sempre há como conter e chorar é sim um bom remédio, mas não precisa durar para sempre. Talvez o chocolate seja liberado para sempre, mas as lágrimas não.

O que foram os momentos felizes? Há mesmo que se cultivar um sentimento ruim porquê o relacionamento chegou ao fim? Você com certeza já deu esse conselho pra uma amiga na mesma situação e agora é a sua vez de seguir sua própria recomendação: a melhor opção sempre será seguir em frente, independentemente de qualquer coisa. A opção agora é essa, guardar boas recordações e acreditar que nem todo tempo foi em vão e nem toda briga ou descoberta foi apenas uma decepção, mas uma oportunidade para mudar tudo. É hora de ir, não há mais motivos para ficar olhando para trás, em frente. É hora de ir e já que vai sozinha, vai sorrindo.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Sobe, vamos conversar


Ainda me lembro do Max, a gente fez amizade rápido e sem motivo algum, engraçado como a Internet pode sim aproximar as pessoas. Ele fazia aquele tipo de cara popular. Era bonito, simpático e inteligente e conversava com todo mundo, todos queriam ser amigo dele.

Por algum acaso que realmente não consigo me lembrar, nos tornamos amigos virtuais. Nos conhecíamos pessoalmente, mas era em meio a uma pequena tela com foto lateral que nos víamos de verdade. Os assuntos atravessavam a noite.

Não havia maldades ou segundas intenções, eram apenas conversas. Sabe aquele tipo de pessoa cujo os assuntos simplesmente vão fluindo e te deixam cada vez mais tranquilo para falar o que quiser? Era assim.

Descobri o motivo da fama de popular e me supreendia quando a janela laranja piscava na tela do computador. Entre tantas pessoas eu era escolhida para uma conversa que não tinha fim e só acabava quando o relógio dizia que era hora de acordar.

Eram conversas sinceras, sem julgamento ou conhecimento de causa. Era apenas um ouvindo (ou lendo) o outro e mais nada. Como vi em um dos comerciais mais fantásticos dos últimos tempos: "Não me importo que minhas conversas mais profundas sejam pela internet".

Entre tantas coisas, um mundo agitado onde clamam cada vez mais por amor e uma vontade desesperada de alguém pra se apagar e dizer que se está apaixonado, me lembrei do Max. As palavras dele.

Em uma de nossas várias conversas ele me disse que não estava apaixonado, mas ainda sim sofria por alguém. Contou que conheceu uma garota, não me lembro o contexto, e em determinado momento eles sentaram nos degraus da escada de um prédio qualquer e conversaram durante toda a noite.

Não houve beijos ou abracos,  apenas palavras. Ele descreveu o momento como perfeito, quando ele pode de fato conhecer alguém,  se sentir bem e querer ligar no dia seguinte, apenas para prosseguir com as conversas. Contudo, ela sumiu.

Entre tantos dramas, amores, saudades e corações partidos por amores sinceros que não duram, ele descobriu que uma conversa também poderia ser perfeita. Que amor também nasce de outra forma e que há sempre o que se descobrir.

Fiquei pensando nisso, perguntando por amigos e amores. Lembrando que talvez o que a maioria das pessoas precisa de vez em quando é  de uma escada pra se sentar e uma companhia pra conversar.

domingo, 7 de setembro de 2014

Um pouco mais


A saudade não é só quando o coração aperta pedindo para estar perto de alguém, mas quando o telefone toca e não é quem você esperava. A saudade é mais que uma mensagem é a vontade de encontrar. A saudade não é só um pensamento e um vazio no peito, a saudade é um desejo de se ter o que não tem, mas que pode ser alcançado quando se quer.

A saudade é definida pelo dicionário como uma lembrança, mas quem disse que ela precisa ficar só no pensamento? É uma mágoa que pode não ter cura, mas que talvez seja tratada se houver menos orgulho e mais vontade.

Não vai passar assim tão fácil, não é apenas um encontro que irá saciar essa ânsia. É mais que uma hora marcada e um número chamando no telefone, são momentos que não voltam, são esses que fazem falta. Esses talvez não voltem mais e a saudade vai continuar.

A necessidade agora é de viver novos momentos, pra sentir falta e criar lembranças. Parte dessa saudade vai passar quando estiver por perto, mas aquela nostalgia e a sensação de ausência vão continuar para além de uma presença.

Não basta estar perto para colocar um fim na saudade é preciso mais que isso.

sábado, 30 de agosto de 2014

Resiliência


Era preciso mais que amor, era preciso paciência. Nem sempre as coisas saem como esperado e todos já sabemos que o conto de fadas com príncipe encantado não existe. Um relacionamento de verdade passa por problemas normais, crises e rotinas.

Mesmo quando um relacionando, seja namoro, rolo ou casamento, não se mostra prefeito, ele ainda pode ser baseado no amor e amizade, o difícil mesmo é identificar isso. São tantas dúvidas que as vezes é possível confundir tudo.

Pessoas erram, brigam, mas também fazem as pazes e sentem saudades. E não é que é verdade o que dizem, essa é a melhor parte. No fim essas frases clichês sempre fazem sentido.

Independente de qualquer desentendimento é sempre possível se entender novamente.Não reclame mais, é bom sentir que a metade que você escolheu tem endereço, telefone e mesmo em meio às turbulências, continua sendo o amor que você escolheu e que te escolheu de volta.

Para ouvir:

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

O ônibus não quebrou


Essa semana meu carro quebrou e nem me importei tanto, talvez eu tenha aprendido a pensar como pessoas inteligentes, do tipo que não lamentam ou choram o leite derramado. Eu não estava preparada pra isso, mas o que pode se fazer? O carro já está lá, quebrado.

Esse grande imprevisto me fez perceber uma coisa, o quanto ter um carro afeta nosso cotidiano. Não, não vou começar a falar da necessidade das pessoas de ter um carro, das facilidades e dificuldades da sociedade moderna que é apegada aos carros. Confesso que acho eles ótimo, mas não é sobre isso que quero falar, esse assunto todo mundo já sabe. Quero falar das mudanças que notei em meu cotidiano.

Essa semana meu carro quebrou e nada mais natural do que ir trabalhar de ônibus. Não me lembrava que os ônibus tem seu lado bom. Depois de um curto espaço de tempo sendo refém dos carros eu me esqueci das longas esperas, apertos e desesperos que passei por causa de um ônibus.

Essa semana meu carro quebrou e indo trabalhar de ônibus tive tempo de observar as pessoas, elas são mesmo interessantes. Olhar para elas dali, de um meio quase imperceptível me faz notar coisas que normalmente não percebo. Estão todos ali, sem se preocupar em parecer melhores do que realmente são, pelo menos é o que parece, apenas sendo elas em um canto qualquer. Ninguém se importa muito, já que estão todos no mesmo barco, ou no mesmo ônibus.

Essa semana meu carro quebrou e me lembrei o quanto é fantástico ouvir música com fone de ouvido. Ficar isolado do mundo bem ali, no meio dele. A sensação de ouvir o melhor som tocando e poder prestar atenção na letra e na melodia é ótimo, pois não se tem que ficar atento a placas, sinais, marcas ou se preocupar em levar um passageiro, mas ficar atento apenas ao que te encanta.

Essa semana meu carro quebrou e sim, andando de ônibus fiquei feliz por ter tempo livre para ler. O tempo em que não estou fazendo nada é extremamente agradável para ler. Seja em pé, sentado, no aperto e nos sacolejos adentramos na história e esquecemos qualquer desconforto, simplesmente por que estive ocupada, lendo. 

Essa semana meu carro quebrou e me senti mais tranquila. Tinha me esquecido o quando era bom poder dormir mesmo após sair de casa, até por que saio mais cedo e preciso dormir mais, cochilar aqueles cinco minutos a mais. Havia me esquecido o quando a combinação de cansaço e tempo fazem daquela cadeira dura seja o melhor encosto.

Essa semana meu carro quebrou e em tão pouco tempo já fiz novas amizades e conheci pessoas diferentes. Engraçado como podemos nos tornar próximos das pessoas que saem de casa no mesmo horário que o nosso e traçam a mesma jornada, para destinos diferentes. Apenas uma frase cotidiana poda aproximar pessoas, "Perdemos o de 7:30?" e criar amizades incríveis. 

Essa semana meu carro quebrou e já me sinto mais sábia, durante o trajeto para o trabalho pude prestar atenção, assim sem querer, nas conversas alheias. Pude ouvir pensamentos, ideias e causos diferentes de um outro modo, sem poder me intrometer. Essa semana já intrometi no assunto alheio, já carreguei bolsas e também fui gratificada com esse imenso favor. 

Essa semana eu me senti aliviada por ter mais tempo para acabar aquele trabalho sem fim. Fiquei até mais tarde esperando o fluxo de passageiros diminuir e pude voltar mais tranquila. Me sinto mais leve por poder esperar com um propósito, já que sei não vai adiantar correr.

Essa semana pude notar detalhes da rua e me atentar de forma diferente ao caminho que traço diariamente. Pude ir caminhando com mais calma pelas ruas, sob o amanhecer, coisas que jamais faço de carro. Se me lembrasse disso antes, eu teria parado o carro mais longe que de costume.

Essa semana eu voltei de carona, tão bom ganhar carona. Estar no conforto e não preocupar mais com nada além de bater papo. 

Essa semana meu carro quebrou e mudei minha forma de perceber as coisas, estou aproveitando tudo antes que se torne uma rotina e minhas percepções de novidade se acostumem. Vou me lembrar do quanto foi bom ter o carro quebrado nessa semana. 

Na próxima semana meu carro deve ficar pronto, mas quer mesmo saber? Na próxima semana eu volto andar de carro....