quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Sobe, vamos conversar


Ainda me lembro do Max, a gente fez amizade rápido e sem motivo algum, engraçado como a Internet pode sim aproximar as pessoas. Ele fazia aquele tipo de cara popular. Era bonito, simpático e inteligente e conversava com todo mundo, todos queriam ser amigo dele.

Por algum acaso que realmente não consigo me lembrar, nos tornamos amigos virtuais. Nos conhecíamos pessoalmente, mas era em meio a uma pequena tela com foto lateral que nos víamos de verdade. Os assuntos atravessavam a noite.

Não havia maldades ou segundas intenções, eram apenas conversas. Sabe aquele tipo de pessoa cujo os assuntos simplesmente vão fluindo e te deixam cada vez mais tranquilo para falar o que quiser? Era assim.

Descobri o motivo da fama de popular e me supreendia quando a janela laranja piscava na tela do computador. Entre tantas pessoas eu era escolhida para uma conversa que não tinha fim e só acabava quando o relógio dizia que era hora de acordar.

Eram conversas sinceras, sem julgamento ou conhecimento de causa. Era apenas um ouvindo (ou lendo) o outro e mais nada. Como vi em um dos comerciais mais fantásticos dos últimos tempos: "Não me importo que minhas conversas mais profundas sejam pela internet".

Entre tantas coisas, um mundo agitado onde clamam cada vez mais por amor e uma vontade desesperada de alguém pra se apagar e dizer que se está apaixonado, me lembrei do Max. As palavras dele.

Em uma de nossas várias conversas ele me disse que não estava apaixonado, mas ainda sim sofria por alguém. Contou que conheceu uma garota, não me lembro o contexto, e em determinado momento eles sentaram nos degraus da escada de um prédio qualquer e conversaram durante toda a noite.

Não houve beijos ou abracos,  apenas palavras. Ele descreveu o momento como perfeito, quando ele pode de fato conhecer alguém,  se sentir bem e querer ligar no dia seguinte, apenas para prosseguir com as conversas. Contudo, ela sumiu.

Entre tantos dramas, amores, saudades e corações partidos por amores sinceros que não duram, ele descobriu que uma conversa também poderia ser perfeita. Que amor também nasce de outra forma e que há sempre o que se descobrir.

Fiquei pensando nisso, perguntando por amigos e amores. Lembrando que talvez o que a maioria das pessoas precisa de vez em quando é  de uma escada pra se sentar e uma companhia pra conversar.

2 comentários:

Fernando CesarT disse...

Fechou com chave de ouro. A simbologia dacescada.

Francielen Joia disse...

Gostei muito do texto...parabéns!